De fato, na exposição Truth, Fiction é fácil perceber a diferença da obra de acordo com a época da vida do artista.
Primeiramente, percebemos obras extremamente minimalistas, que remetem a pureza, a assepsia e o despojamento, em tons monocromáticos. Leonilson deu ao branco significados de dor e desejo, com uma estratégia de deixar grandes campos em branco para bordar palavras em suas margens e ganhando força no contraste com o vazio central.
Logo em seguida, há obras com presença enorme de figuras geométricas. Os retângulos vermelho e dourado assumem personalidade ao serem identificados como Bad Boy e Fragile Soul.
Na próxima secção, nomeada As Geografias, percebemos um incrível trabalho que simula o corpo humano como um espaço geográfico. Além disso, são notadas as diversas viagens que o autor fez ao redor do mundo. Uma verdadeira fascinação por mapas e paisagens. Assim como em outros trabalhos, essas obras possuem um tom de desejo e dor muito notáveis
Em As Ilustrações, percebemos trabalhos voltados para publicação em coluna de jornal. Nesses desenhos, é notável a preocupação de temas frequentes no contexto paulista que Leonilson vivia, tais como violência, corrupção e crise da AIDS.
Os diários de Leonilson eram realmente desenhos feitos diariamente para descrever o universo pessoal do artista, com temas como o amor, desejo e sua incompletude. Numa cadeia de significantes e significados, o duplo é um elemento primordial, e a partir dele se desdobram imagens de amantes e de casais, a simetria e o espelhamento, e por fim a morte.
Na sala A cena Final, percebemos um tema religioso (Leonilson vinha de uma família predominantemente Católica), mas trabalhado de forma subversiva uma vez que o autor era homossexual. Na verdade, é uma representação religiosa entre a vida, a paixão e a morte.
E assim chegamos ao fim da exposição.



































