quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Análise do texto "Animação Cultural"


Há uma grande discussão sobre a perda de poder humano para os objetos em geral. Esse é o tema retratado pelo autor do texto "Animação Cultural", que procura, claramente, passar a ideia de uma imensa dependência que a humanidade adquiriu dos objetos ao longo dos séculos. Para isso, é apresentada uma série de eventos históricos, como o grande vínculo que as ciências exatas e inexatas tiveram com os objetos a partir do século XIX, que contribuíram para tal perspectiva. De fato, esse é o elemento principal da obra, uma vez que o narrador, sendo um objeto, propõe uma revolução com a finalidade de os objetos se tornarem mais importantes que os próprios homens, com um exemplo de que há inteligências artificiais já capazes de se auto-programarem.

Em contrapartida, o autor apresenta o ponto crítico da revolução, que seria a cultura (terreno dos objetos). Para o objeto-narrador, acabar com a cultura seria essencial para colocar, efetivamente, as idéias em prática, pois, segundo ele, objetos são, ainda, incapazes de produzirem cultura. Dessa forma, percebe-se que o elemento "cultura" seria o fator mais importante para deixar claro a soberania humana e não promover os objetos a dominadores.

Há quem diga que, numa comparação com o nosso mundo, a revolução dos objetos já é algo concreto e vem ocorrendo exatamente com os passos descritos no texto e, praticamente, o homem seria o objeto dos próprios objetos, sendo alienado pela cultura. Todavia, parece claro o ponto que o autor, Flusser, pretende enfatizar em seu texto: a importância da valorização cultural e desapego com os bens materiais em si. Por fim, a ciência da cultura estuda o próprio "estar no mundo" dos objetos, mas apresenta-se, de certa forma, fragilizada por ser "puro jogo sem propósito nem sentido".

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